A vitória de Zenigata capítuloII

Reencontros

Goemon guarda a espada e faz um gesto para que Zenigata o acompanhe. 

– Se quer conversar comigo por favor me acompanhe até o meu dojo. Diz Goemon.

Zenigata  aceita o convite e segue Goemon para fora da vila até um bosque denso, cujo único caminho é uma estrada  de terra improvisada em linha reta.

 Zenigata fica desconfortável com o silêncio absoluto de Goemon e tenta comentar sobre o clima e a beleza do lugar, mas o samurai continua sem dizer uma só palavra durante todo o caminho. 

Depois de quase um quilômetro de caminhada Goemon para diante de um dojo e diz:

– Chegamos. Entre.

Zenigata segue Goemon até o dojo e começa imaginar se o samurai não quer matá-lo por causa da prisão de Lupin. O ex-inspetor aceita que caiu em uma armadilha, pois está cansado demais para fugir. 

– O que ele faz aqui? Pergunta Fujiko tirando a pistola que sempre traz consigo na cinta liga.

Zenigata fica muito tenso e percebe que Murasaki  está no pátio do dojo, brincando com dois meninos de idade aproximada, um menino é muito parecido com Goemon,porém está usando roupas modernas, e o mesmo menino que o ex-inspetor viu com Fujiko.

– Eu  não sou mais policial, não precisa ter medo de mim. Diz Zenigata.

– Você confia nele, Goemon? Pergunta Fujiko sem abaixar a arma.

– O povo Iga disse que ninguém o seguiu até aqui, por favor Senhora Fujiko aguarde alguns minutos com Murasaki e as crianças antes de irmos para casa, enquanto eu converso com o senhor Zenigata.

Fujiko abaixa a arma e se apressa em segurar o menino que se aproxima dela. Zenigata tenta fazer carinho no menino, mas ele começa a chorar e se agarra com força em Fujiko.

– Você o assustou, seu bruto! Diz Fujiko se afastando de Zenigata.

Goemon faz sinal para Zenigata o acompanhar até  a sala de treinamento do dojo.

– O que veio fazer aqui? Pergunta Goemon.

– Eu quero saber o motivo de você não ter ajudado Lupin naquele dia. Por que você se limitou a tocar a flauta? Diz Zenigata.

– Então o seu tédio e solidão são tão grandes para você gastar dinheiro para me fazer uma pergunta? A resposta é simples, eu não poderia fazer nada por um homem que já estava condenado pelos deuses desde do princípio, mas toquei para aliviar a angústia de um bom companheiro de aventuras que um dia chegou a ser meu amigo. Responde Goemon.

– Na verdade eu estou aqui, porque não acredito que Lupin matou aquela pobre moça. Eu vim até aqui pedir a sua ajuda para provar a inocência de Lupin. Você é o único que pode salvar Lupin da prisão, já que Jigen o abandonou. Tenho certeza que com a minha ajuda, poderemos encontrar a prisão onde Lupin está.

– Eu me recuso. Diz Goemon.

– Como assim? Você era companheiro de Lupin, um amigo. Por que não o ajuda a provar a inocência dele? Diz Zenigata indignado.

– Infelizmente as coisas são como são. Eu estou aposentado do crime e agora vivo em meditação e para cuidar da minha família. Responde Goemon.

–  E o Jigen? Onde ele está? Quero falar com ele.

– Não sei nada sobre Jigen desde o dia que ele e Lupin me visitaram antes do assassinato daquele dia. Você ainda tem seus instintos de policial, pode encontrar Jigen sem minha ajuda.

Zenigata fica sem ação, pois acreditava que Goemon estava tramando como salvar Lupin da prisão secreta. Vendo o ex-inimigo paralisado de frustração, Goemon diz:

– Por que não aprecia a vila de Iga por alguns dias antes de voltar para casa. 

Zenigata balança a cabeça afirmativamente e quebra o silêncio perguntando:

– Quem é aquele menininho com a Fujiko?

– Isso não lhe importa, mas se o importunar de alguma maneira não terei piedade de lhe matar. Agora pode ir embora e nunca mais me procure e trate de deixar a senhora Fujiko e o menino em paz. Diz Goemon sacando a espada.

Zenigata se retira calado e na saída do dojo vê Fujiko segurando o menino no colo, enquanto ele dorme tranquilo. O ex-inspetor não tem coragem de falar com Fujiko e vai embora sem olhar para trás.

De volta a hospedaria Zenigata vai para o quarto e acessa a base de dados da Interpol e começa a procurar por Jigen. O ex-inspetor sabe que a Interpol ainda vigia os passos de Jigen.

Em meia hora, Zenigata consegue localizar Jigen que agora é guarda-costas de Lisa Argento, uma renomada arqueóloga, o que viaja o mundo todo em busca de relíquias. Zenigata nota que nas fotos Jigen tem uma expressão mais pacífica e aparenta algum tipo de intimidade com Lisa.

Depois da pesquisa Zenigata resolve dormir, pois a viagem e a breve conversa com Goemon o deixaram esgotado.

Na manhã seguinte Zenigata resolve passear pela cidade e comprar alguns souvenirs  em uma loja antes de voltar para casa e acaba encontrado Fujiko e Murasaki com as crianças. Zenigata se esconde por trás de uma prateleira e ouve uma conversa de Fujiko e Muraski.

– Acho um absurdo  ter que esconder o Júnior do mundo, por causa do crime de Lupin. Já não basta eu e ele estarmos na penúria recebendo uma misera pensão de cinco milhões de dólares americanos por mês? Se as autoridades deixassem eu ia lá naquela prisão reclamar com Lupin. Diz Fujiko.

Murasaki segura o riso e diz:

– Goemon,Goemon XIV e eu  estamos vivendo bem,embora modestamente.

– Eu sei. E agradeço a vocês pela caridade de receber a mim uma pobre mãe solteira e meu filho. O pior é aquela tal de Rebeca dizendo que também quer pensão pro filho dela, alegando que também é filho de Lupin. Diz Fujiko.

Zenigata vai para o caixa pagar as compras evitando ser visto por Fujiko e Murasaki  e acaba esbarrando em Goemon.

– Comprando souvenirs, senhor Zenigata? Diz Goemon. 

– Sim. Vou embora da cidade amanhã. Diz Zenigata.

Fujiko e Murasaki se aproximam do caixa. Júnior começa a chorar assim que vê Zenigata.

– Como ousa assustar assim uma criança? Diz Fujiko.

– Eu não tive a intenção, Fujiko. Não sei por que esse bebê me odeia. Diz Zenigata.

– O senhor estava outra vez atrás da senhora Fujiko, senhor Zenigata? O senhor por acaso está apaixonado pela senhora Fujiko? Diz Goemon.

Fujiko e Zenigata ficam perplexos com o comentário de Goemon e Júnior também para de chorar.

– Então foi o senhor quem armou tudo para Lupin ser preso e poder se casar com a Fujiko? Que coisa feia, senhor Zenigata. Diz Murasaki juntando-se às deduções do marido.

– O mais honrado seria o senhor casar com a senhora Fujiko para que ela não seja mais uma indefesa mãe solteira. Diz Goemon.

– Ficou louco, Goemon? Eu, casada com o Zenigata? Ele jamais poderia dar a vida que o meu filho  e eu merecemos. Além do mais ele não faz meu tipo. Diz Fujiko.

– Se pudéssemos falar com Lupin, tenho certeza de que ele aceitaria. Talvez você pudesse se casar com Jigen, senhora Fujiko, mas agora ele parece estar muito bem com a senhorita Lisa. Como samurai eu poderia lhe oferecer para ser minha concubina, mas  a senhora Murasaki não concordaria.

– Que história é essa de concubina, Goemon? Mais tarde conversamos. Diz Murasaki irritada.

– Eu apenas sugeri por pena da senhora Fujiko e um samurai deve ter compaixão pelos desvalidos. Na verdade acho que o senhor Zenigata é o mais indicado já que está solteiro e nem tem filhos. Diz Goemon.

Zenigata paga as compras o mais depressa possível antes que Goemon o obrigue a se casar com Fujiko.

Zenigata chega ao quarto da hospedaria ofegante e por alguns instantes imagina como seria a vida casado com Fujiko.  Zenigata se vê usando um avental e limpando a casa, enquanto Fujiko está no celular comprando jóias e Júnior chora e xinga o ex-inspetor.

– Que visão horrível. Lupin tem que escapar imediatamente antes que eu acabe casado com a Fujiko. Diz Zenigata começando a arrumar as malas.

Zenigata levanta cedo na manhã seguinte para pegar o ônibus para cidade vizinha e voltar para casa. Enquanto aguarda o ônibus, Zenigata vê Goemon se aproximar.

– Está de partida, senhor Zenigata? Não vai mesmo se casar com a senhora Fujiko?

Zenigata começa a gaguejar e para a sorte do ex-inspetor o ônibus chega.

– Bem, Goemon. Foi um prazer falar com você, mas eu tenho que ir. Seja feliz com sua família. Diz Zenigata subindo apressado no ônibus.

Dentro do ônibus Zenigata percebe que Goemon entrou em contradição sobre Jigen.

“Então Goemon sabe onde encontrar Jigen. Ótimo com certeza os dois e Fujiko estão tramando a fuga de Lupin. E quando isso acontecer, eu vou prender Lupin outra vez.”

Zenigata chega a cidade vizinha à vila Iga e decide ficar na cidade para descansar da viagem, por isso fez uma reserva em um hotel. O ex-inspetor pega um táxi e durante o trajeto até o hotel vai mexendo no celular e encontra uma notícia que o interessa:

“ Lisa Argento, renomada arqueóloga está na cidade para uma conferência em nossa cidade. A conferência será no final da tarde no Centro Cultural.”

– Que coincidência mais conveniente. Comenta Zenigata sorrindo satisfeito.

Zenigata vai à conferência de Lisa e logo na entrada do prédio vê Jige chegando com Lisa. Zenigata se aproxima para falar com Jigen. 

– Olá, Jigen. Preciso falar com você.

– Eu vou  avisar ao coordenador que chegamos, querido. Por favor, não demore. Diz Lisa se afastando para deixar Zenigata e Jigen conversarem a vontade.

– Falar o que comigo? Agora minha ficha tá limpa e você não é mais da polícia, Tiozão. Diz Jigen colocando um cigarro na boca sem acender.

– Eu acho que Lupin é inocente no caso da Sônia Jabs. Diz Zenigata.

– Problema seu. Eu sei o que vi naquela noite. E acredite em mim, eu não tô nada contente de ter entregado um amigo. Ninguém no submundo quer meus serviços e agora tenho que trabalhar chefiado por uma mulher. Mas as coisas são como são. Diz Jigen.

– Goemon disse a mesma coisa. Não acredito que vocês abandonaram Lupin. Como podem fazer isso?

– Puff! Então andou falando com Goemon? Ele também tentou fazer você se casar com aquela mulher traiçoeira da Fujiko? Quer saber de uma coisa, Tiozão? Você bem que podia casar com ela pra aliviar o seu tédio e parar de perseguir o Lupin e vir encher o nosso saco. 

Zenigata vai responder a Jigen, quando Lisa aparece e segura no braço de Jigen e avisa:

– O coordenador disse que a sala está pronta. Minha conferência começa em dez minutos. Você acha que pode checar a segurança nesse tempo, meu bem?

– É claro. Responde Jigen se afastando.

– Sinto muito, senhor Zenigata, mas Jigen não gosta de falar sobre Lupin e o que aconteceu naquela noite. Agora eu tenho que ir.

Zenigata não entra e apenas observa Jigen e Lisa caminhando até a sala de conferências.

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