A vitória de Zenigata Capítulo IV

A prisão  e  a morte de Lupin

 Nos dias atuais

 Um médico recebe a autorização para examinar Lupin, pois nos últimos meses as condições físicas de Lupin têm decaído e ele está cada vez mais magro e irreconhecível.

Um dos guardas abre o vidro blindado que tira quase toda a privacidade de Lupin.

O médico examina Lupin, vigiado por quatro guardas armados. Lupin fica o tempo imóvel na cama e o médico logo constata que o estado de saúde do grande ladrão é crítico e diz:

– Você está gravemente enfermo e vou pedir a sua internação imediata em um hospital militar.

– Pra quê? Pra eu voltar pra cá? Não muito obrigado. Pode me fazer um favor, doutor?  Diga aos meus amigos que eu parti desse mundo sem sentir rancor de nenhum deles. Sabe do que eu gostaria agora, doutor? De ver a Fujiko mais uma vez antes de morrer. A flauta do Goemon está tocando mais uma vez. Ele veio prestar os respeitos a mim. Diz Lupin quase desfalecido.

O médico constata que Lupin está com uma febre acima de quarenta graus e chama os guardas para remover Lupin da cela e levá-lo ao hospital.

– A gente só pode fazer isso se receber uma ordem do juiz. Diz um dos guardas.

– Mas se ele não for levado imediatamente para um hospital, ele morrerá. Retruca o médico.

– Sei lá, doutor. Dá um remédio pra ele e sai da cela pro diretor não reclamar com a gente depois. Diz o guarda.

O médico aplica uma injeção em Lupin na esperança de salvar o grande ladrão da morte.

O médico vai até a sala do diretor da prisão especial e diz:

– O senhor tem que transferir Lupin para um hospital agora mesmo ou ele morrerá.

– Infelizmente não tenho ordens para transferir o preso. Trate dele na própria cela. O histórico de Lupin demonstra que ele pode estar usando algum truque para escapar. Retruca o diretor do presídio enquanto mexe no celular.

– Saiba que eu vou denunciar essa violação dos direitos humanos. Grita o médico.

– Pode fazer. Mas agora o senhor será levado para o exame e confirmar a sua identidade ou se não é um dos cúmplices de Lupin.

Os guardas arrastam o médico até a sala de exames, enquanto o diretor continua mexendo no celular.

Enquanto os guardas levam o médico para a sala de exames, o diretor chama outros guardas e os manda para a cela de Lupin.

– Acho que nosso incinerador não vai notar a diferença se Lupin morrer um pouco antes do previsto. 

– O senhor quer que a gente jogue Lupin vivo no incinerador, diretor?

– Não seja selvagem! Sufoquem Lupin com o travesseiro. Depois se livrem do médico. Esperem  o doutor sair da ilha para afundar o barco dele no mar.  Agora precisamos do médico para fazer o atestado de óbito de Lupin. Diz o diretor da prisão.

O diretor segue para sala onde o médico é mantido depois  de comprovar a identidade.

– Doutor, o senhor não vai precisar fazer denúncia à imprensa, um dos guardas veio me avisar que Lupin acaba de morrer. Diz o diretor.

– Eu não acredito. Você fez alguma coisa com ele. Diz o médico indignado.

– O senhor mesmo disse que ele estava muito mal. Se duvida de mim, venha comigo até a cela de Lupin. Retruca o diretor.

O médico não tem escolha a não ser acompanhar o diretor e os guardas até a cela de Lupin.


Uma semana depois da visita a Goemon e o encontro com Jigen, Zenigata acorda cedo como faz todos os dias.

– Aqueles dois realmente abandonaram Lupin. Resmunga Zenigata depois de descobrir que Jigen viajou com Lisa para a América do Sul.

Zenigata liga a TV para assistir ao telejornal, enquanto prepara o café da manhã. De repente Zenigata ouve uma notícia que o deixa sem ação:

– A justiça da União Europeia confirmou hoje a morte do infame ladrão  Arsene Lupin III. A  causa da morte de Lupin não foi revelada. Como ele não tinha parentes suas cinzas foram enviadas ao Japão para serem entregues a Goemon Ishikawa, antigo cúmplice de Lupin, que teve seus crimes perdoados pelo governo japonês depois de prestar um grande serviço à nação.

Zenigata fica trêmulo e senta no chão para não cair de uma vez e diz a si mesmo:

– Ele deve ter conseguido fugir outra vez. É isso! Logo a Interpol vai me chamar pra perseguir Lupin.

Da janela Zenigata vê um rapaz de bicicleta se aproximando e sente o coração palpitar de esperança de é um agente da Interpol disfarçado que veio trazendo a missão de prender Lupin.

O rapaz toca a campainha e Zenigata corre para atender à porta. O rapaz  na verdade é um aluno de Gemon  que entrega entrega um envelope branco a Zenigata e diz:

– Mestre Goemon pediu que lhe entregasse esse envelope em mãos.

O rapaz desaparece como se fosse algum ser sobrenatural, deixando Zenigata confuso.

– Deve ser algum comunicado de Goemon dizendo onde Lupin está escondido agora. Diz Zenigata a si mesmo.

Mas ao abrir o envelope Zenigata constata que é um convite para o funeral de Lupin.

“ Lupin deixou expressa a vontade de que o senhor participasse do funeral dele, pois  o senhor foi o único homem que o enfrentou de igual para igual durante toda a vida de Lupin.

Se deseja vir sabe onde me encontrar.

Assinado, 

Goemon Ishikawa XIII.”

Zenigata larga o papel no chão e começa a chorar desconsolado.

– Agora tudo acabou realmente. Diz Zenigata percebendo que não poderá mais voltar a Interpol e que seus dias de glória acabaram para sempre.

Zenigata viaja na manhã seguinte para a vila do povo Iga, onde Goemon vive.  Quando chega à cidade mais próxima à vila Iga, Zenigata sobe no ônibus sem prestar atenção em nada, tudo para o ex-inspetor para sem vida, nem as belas paisagens no caminho e o belo dia de sol o alegram.

 Zenigata  chega à hospedaria e a  mesma jovem que o atendeu da primeira vez diz:

– Mestre Goemon avisou que o senhor viria, por isso preparamos a melhor suíte da nossa hospedaria para o senhor. Por favor, me acompanhe.

Zenigata segue a jovem até uma suíte espaçosa demais para os padrões japoneses. Assim que a recepcionista sai do quarto, Zenigata solta as malas no chão  e vai até o futon para descansar um pouco antes de ir ao velório de Lupin.

De repente Zenigata vê o rosto de Lupin na janela do quarto.

 Zenigata se aproxima da janela apesar das pernas tremendo e quando abre a janela não vê nada além do jardim da pensão.

Zenigata se afasta da janela  e tenta relaxar dizendo a si mesmo:

– Deve ser o cansaço da viagem. 

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